A Fifa anuncia hoje as próximas sedes do Mundial de Clubes da Fifa, disputado no Japão desde 1980 (em 2000, quando houve duas edições, uma delas foi no Brasil).
Os Emirados Árabes receberão o torneio em 2009 e 2010. O Japão, que será a sede do torneio deste ano, volta a recebê-lo em 2011 e 2012.
Após empate por 2 a 2 no tempo normal, o tunisiano Etoile du Sahel perdeu hoje para o japonês Urawa Red Diamonds por 4 a 2 nos pênaltis e ficou com o quarto lugar no Mundial de Clubes da Fifa.
Vi, recentemente, blogueiros esportivos e amigos dizendo que o atual Mundial da Fifa é muito fraco, que só a final vale mesmo a pena (a de hoje, aliás, foi um jogão: Milan 4 x 2 Boca Juniors).
Concordo em partes.
Parte 1: a qualidade técnica. Sim, foi mais um ano de apresentações sofríveis. Mesmo a decisão do terceiro lugar, postas de lado o lindo chute na trave e os dois belos gols de cabeça do brasileiro Washington, do Urawa. O primeiro gol do Etoile surgiu de uma falha de um zagueiro japonês. O segundo foi um lance digno de um churrasco em família num domingão com todo mundo jogando bêbado e dando risada: abaixo da crítica.
(Abaixo. os melhores momentos da vitória do Urawa sobre o Etoile.)
Parte 2: o Mundial de Clubes deveria ser disputado apenas por um representante da Uefa e outro da Conmebol. Discordo. Acho que a ampliação da representação de dois para seis continentes no Mundial deixa o torneio mais honesto. Não que houvesse roubalheira nos outros, mas uma boa parte do mundo sequer podia sonhar em disputá-lo. Agora, times como o Albuquerque Asylum, o Primeiro de Agosto, o Gaza Sports Club ou o Madang Besta. Ou mesmo times de expressão razoável, como o Kashima Antlers, atual campeão japonês, ou os representantes mexicanos.
Me chamaram de romântico. Mas, de fato, acredito que os times, todos eles, têm direito a poder sonhar em disputar este título. Isto não aumenta, necessariamente, o espetáculo que é apresentado em campo - com o tempo, talvez. Mas penso que aumenta o prestígio da competição, bem como o da Fifa: entidade que oferece a oportunidade de dois título mundiais (a Copa do Mundo de seleções e o Mundial de Clubes) a 208 nações associadas (a ONU tem 192 membros e o Comitê Olímpico Internacional, 205).
O argentino Boca Juniors eliminou na manhã desta quarta-feira (horário de
Brasília) o tunisiano Etoile du Sahel do Mundial de Clubes da Fifa. Os
sul-americanos venceram por 1 a 0, gol marcado pelo meia Neri Cardozo, de 21
anos, aos 37 min do primeiro tempo.
Vi dois destaques no time africano: o meia tunisiano
Afouène Gharbi e o atacante Gilson Silva, de 20 anos, revelado no Botafogo - não
no carioca, mas no de Cabo Verde, onde nasceu.
O tradicional Boca Juniors, fundado em 1905, detentor de três títulos
mundiais, seis da Libertadores e 22 campeonatos argentinos, jogará domingo pelo
título mundial contra o vencedor do jogo entre o italiano Milan e o japonês
Urawa Red Diamonds.
Já ao Etoile du Sahel, fundado em 1925, detentor de uma Liga dos Campeões
Africanos (em 2007) e nove campeonatos tunisianos, resta jogar no sábado pelo
terceiro lugar, mantendo assim a mesma posição alcançada pelo representate
africano em 2006 (o egípcio Al Ahly).
Estrela do Etoile brilha, e time pasa pelo Pachuca
O tunisiano Etoile du Sahel venceu nesta madrugada o mexicano Pachuca por 1 a 0 e avançou à semifinal do Mundial de Clubes. Agora, enfrenta às 8h30 desta quarta (horário de Brasília) o argentino Boca Juniors.
O Pachuca era o favorito ao jogo de hoje. Teve dois títulos internacionais (Copa Sul-Americana-2006 e Copa dos Campeões da Concacaf-2007) e dois nacionais nos últimos dois anos. O México tem dois campeonatos nacionais por ano, um que inicia a temporada (Apertura) e um que encerra (Clausura). O Pachuca venceu o Clausura de 2005-06 e de 2006-07. Neste último, eu estava no México no dia da decisão e vi a partida (pela TV): empate eletrizante em 1 a 1 com o América - o Pachuca havia vencido o jogo de ida por 2 a 1, e ficou com o título.
O que sobrou em energia e vontade aos mexicanos naquele jogo faltou neste. Estavam tranqüilos demais, como se a vitória fosse inevitável. Não tinham pressa: demoravam para cobrar as faltas, para se levantar quando caíam, reclamavam muito, enrolavam.
Os mexicanos tinha menos posse de bola, mas era mais eficiente. Dava chutes mais perigosos, mandou uma bola no travessão no primeiro tempo e teve um gol corretamente anulado, por impedimento, aos 28 min do segundo tempo, no rebote de uma falta.
Os dois nomes do jogar eram do Pachuca: o goleiro colombiano Miguel "El Condor" Calero, que não soltava uma bola, e o meia-atacante argentino Christian "El Chaco" Giménez (ex-Boca Juniors). Eram dele que saíam os lances mais perigosos, principalmente nas faltas e escanteios.
Os africanos não tinham um destaque individual, mas tocavam muito a bola. Eram mais rápidos. Corriam muito, buscavam bolas perdidas, chutavam bastante, mesmo quando, aparentemente, não havia chance de gol. Apertavam os mexicanos na saída de bola. Pareciam ter mais vontade.
E o lance do gol uniu velocidade, coleitividade e um chute despretensioso. Aos 40 min da etapa final, em uma jogada em que quatro jogadores do ataque do Etoile participaram, mas que nenhum deles deu mais de dois toques seguidos nela (era pegar a bola e passar para outro companheiro), o ganense nascido no Níger Moussa Narry, de 21 anos, chutou de fora da área. A bola desviou em Leobardo López e entrou.
Só aí, quando já perdia por 1 a 0 e faltavam cinco minutos para o final do jogo, o técnico do Pachuca fez a primeira substituição (depois, faria outra). Parecia estar certo de que o jogo iria para a prorrogação. Mas aí era tarde demais.
O gol de Moussa Narry:
ps - Etoile du Sahel significa "Estrela de Sahel". O Sahel é a região da África situada entre o deserto do Sahara e as terras mais férteis a sul. Normalmente, incluem-se no Sahel: Burkina Fasso, Chade, Djibouti, Eritréia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, a parte norte da Nigéria, Senegal, Somália e Sudão. Às vezes, usa-se este termo para designar os países da África ocidental. A Tunísia não fica no Sahel: fica no norte da África, próxima da Europa.
O tunisiano Etoile du Sahel, atual campeão da Liga dos Campeões da África, estréia neste domingo (3h45, horário de Brasília; o jogo será em Tóquio) na quarta edição do Mundial de Clubes da Fifa. Como nas últimas duas edições, o primeiro jogo é nas quartas-de-final.
O adversário será o mexicano Pachuca, que venceu a Copa dos Campeões da Concacaf, entidade que congrega os países da América do Norte, América Central e as três "guianas".
Os representantes africanos vêm crescendo no Mundial de Clubes: sétimo lugar em 2000, sexto em 2005 (sim, a segunda edição demorou) e um surpreendente terceiro lugar no ano passado.
Não acredito, entretanto, que seja o caso de esperar que o Etoile du Sahel melhore ou mesmo mantenha a posição alcançada pelo egípcio Al Ahly no ano passado. Por um motivo: chave mais difícil. O Al Ahly enfrentou nas quartas-de-final o semi-profissional Auckland City, da Nova Zelândia. Os tunisianos têm pela frente o profissional (e forte) Pachuca. Se passar à semi, já será um ótimo resultado.
Abaixo, os gols da vitória do Al Ahly sobre o América mexicano, na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de 2006. O gol mexicano foi marcado pelo paraguaio Salvador Cabanas. Os dois do Al Ahly foram marcados pelo egípcio Mohamed Aboutrika; o primeiro de falta, e o segundo após passe do angolano Flávio Amado.
As campanhas africanas no Mundial de Clubes da Fifa. Nas duas primeiras edições, cinco derrotas em cinco jogos. Em 2006, um surpreendente terceiro lugar.
Primeira edição (2000) Sedes: Rio de Janeiro e São Paulo (Brasil) Campeão: Corinthians (Brasil) Representante africano: Raja Casablanca, do Marrocos (7º lugar) Campanha: Raja Casablanca 0 x 2 Corinthians Raja Casablanca 3 x 4 Al Nassr (Arábia Saudita) Raja Casablanca 2 x 3 Real Madrid (Espanha)
Segunda edição (2005) Sedes: Tóquio, Toyota e Yokohama (Japão) Campeão: São Paulo (Brasil) Representante africano: Al Ahly, do Egito (6º lugar) Campanha: Al Ahly 0 x 1 Al Ittihad (Arábia Saudita) Al Ahly 1 x 2 Sydney FC (Austrália)
Melhores momentos de Al Ahly 1 x 2 Sydney FC (primeiro tempo):
Melhores momentos de Al Ahly 1 x 2 Sydney FC (segundo tempo):
Terceira edição (2006) Sedes: Tóquio, Toyota e Yokohama (Japão) Campeão: Internacional (Brasil) Representante africano: Al Ahly, do Egito (3º lugar) Campanha: Al Ahly 2 x 0 Auckland City (Nova Zelândia) Al Ahly 1 x 2 Internacional Al Ahly 2 x 1 América (México)
Abaixo, os melhores momentos da derrota do Al Ahly para o Internacional, pela semifinal. Os gols da decisão pelo terceiro lugar estão no post acima, que também aborda o Mundial de Clubes (mas sobre a edição deste ano).